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	<title>Just like Bob Dylan's blues</title>
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		<title>Ho! Ho! Ho!</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 18:23:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Feldman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[  O álbum natalino que Bob Dylan lançará este ano terá sua renda doada a uma organização beneficente americana. &#8220;Christmas in the heart&#8221; (&#8220;Natal no coração&#8221;) será lançado no dia 13 de ourubro, anunciou a Columbia Records em um comunicado nesta quarta-feira. A arrecadação com as vendas do disco nos Estados Unidos irão para a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=100&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://dylansblues.wordpress.com/2009/09/20/ho-ho-ho/"><img src="http://img.youtube.com/vi/gundu1yLjWY/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p> </p>
<p style="text-align:justify;">O álbum natalino que Bob Dylan lançará este ano terá sua renda doada a uma organização beneficente americana. &#8220;Christmas in the heart&#8221; (&#8220;Natal no coração&#8221;) será lançado no dia 13 de ourubro, anunciou a Columbia Records em um comunicado nesta quarta-feira. A arrecadação com as vendas do disco nos Estados Unidos irão para a a organização Feeding America. A expectativa é que o disco ajude a alimentar 1,4 milhão de famílias neste fim de ano. A capa do disco também foi divulgada.</p>
<p style="text-align:justify;">O músico de 68 anos afirmou ser uma &#8220;tragédia&#8221; que pessoas tenham que ir dormir com fome. Ele espera poder dar &#8220;segurança alimentar&#8221; a pessoas necessitadas. Dylan também planeja doar a renda que o álbum gerar fora dos Estados Unidos a organizações similares ao redor do mundo.</p>
<p>(Fonte: <a href="http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/08/26/disco-de-natal-de-bob-dylan-pode-alimentar-1-4-milhao-de-familias-767325550.asp">O globo</a>)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dylansblues.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dylansblues.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dylansblues.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dylansblues.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dylansblues.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dylansblues.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dylansblues.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dylansblues.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dylansblues.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dylansblues.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dylansblues.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dylansblues.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dylansblues.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dylansblues.wordpress.com/100/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=100&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Together through life &#8211; reviews.</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 23:23:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Feldman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Together through life, o mais novo disco de Bob Dylan,  pegou todo mundo de surpresa. Anunciado pouco mais de um mês antes de seu lançamento, o sucessor de Modern Times dividiu opiniões, sobretudo em relação à importância que desempenha no interior da atual fase da obra de Dylan. Seguem abaixo traduções de trechos das principais críticas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=87&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>Together through life</em>, o mais novo disco de Bob Dylan,  pegou todo mundo de surpresa. Anunciado pouco mais de um mês antes de seu lançamento, o sucessor de <em>Modern Times </em>dividiu opiniões, sobretudo em relação à importância que desempenha no interior da atual fase da obra de Dylan. Seguem abaixo traduções de trechos das principais críticas publicadas na semana de lançamento do álbum.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-88" title="ttlcoverbg7_jpg" src="http://dylansblues.files.wordpress.com/2009/06/ttlcoverbg7_jpg.jpg?w=463&#038;h=464" alt="ttlcoverbg7_jpg" width="463" height="464" /></p>
<p style="text-align:justify;">“Como a vida – essa outra grande imponderável – Bob Dylan é cheio de surpresas. Ele nos surpreendeu em meados da década de 60 ao se aposentar do cargo de profeta da nascente contracultura. Ele nos surpreendeu (uma história incompleta, talvez) com sua conversão, em meados da década de 70, ao cristianismo e os discos moralistas que seguiram. E está nos surpreendendo agora, com esse excelente período de vigor renovado, consistência e um novo disco, aparentemente vindo do nada.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais do que <em>Modern Times</em> – um bom disco, mas (pode ser tido agora?) que não apresentou uma gema de 24 quilates, uma <em>Mississipi</em> ou uma <em>Love sick</em> – <em>Together through life</em> é um álbum que engata de primeira e se recusa a decair. É escuro, embora confortante, com um som duro, violento, meio como uma banda mandando ver em uma passagem de som num teatro vazio. E em seu coração há um refrão reincidente. Porque, acima de tudo, esse é um disco sobre amor, sua ausência e sua lembrança.</p>
<p style="text-align:justify;">Se estamos acostumados com algo, estamos acostumados com os complexos enigmas de Dylan, mas o modelo de 67 anos parece, mais do que nunca, feliz em dar a impressão de saber mais do que transparece. É a prerrogativa dos mais velhos, talvez. Não é que eles gostem de ver o pessoal mais jovem cometer sues próprios erros (embora, às vezes, você se pergunte); é que eles sabem que cometeremos esses erros independente do que disserem. De verdade, a sabedoria é desperdiçada com os jovens.</p>
<p style="text-align:justify;">O Dylan de hoje soa como um homem que já deu seu último adeus, como se há muito tivesse passado pelo ponto em que possuía todas as energias. Não há nenhuma declaração a fazer, apenas canções a escrever e vida pra viver. E cada novo disco o encontra levemente surpreendido, levemente satisfeito por ainda estar aqui, presenteado com a chance de se curvar à platéia mais uma vez após a queda da cortina.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesses dias, pelo que parece, o velho ilusionista está surpreendendo até a si mesmo.”</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Danny Eccleston (Mojo)</em><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">“Há uma anedota famosa sobre Bob Dylan perseguindo Neil Young em meados da década de setenta, irritado ao saber que alguém estava subindo nas paradas por soar um pouco igual a ele. Como que ecoando aqueles dias tão distantes, Dylan está agora alcançando a recente média de produção do canadense. Seu trigésimo terceiro álbum aparece com pressa inesperada, seguindo <em>Modern Times</em>, de 2006. E ainda que composto a partir do mesmo tecido blueseiro da trilogia de álbuns responsável por seu “renascimento” (<em>Time out of mind</em>, <em>Love and theft</em> e <em>Modern Times</em>), discos que pareciam como placas talhadas sobre o material de que é feita a história americana, <em>Together through life</em> é um caso distintamente mais suave.</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;) Apesar do fato de, por quase dez anos, Dylan ter escrito canções que lidam com clichês provenientes da cultura americana, não parece haver perigo de regressão rumo a algum tipo de purismo aborrecido como, digamos, o de Van Morrison. Ele ainda injeta o suficiente de si mesmo para se manter acima de modismos. Tendo dito isso, não se pode evitar sentir que muito desse clima relaxado pode, eventualmente, esgotar seu corrente status deificado. <em>Together through life</em> não é um clássico, mas não é nenhum <em>Self Portrait </em>também.”</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Chris Jones (BBC Review) </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>“Together through life</em>, o trigésimo terceiro disco de estúdio de Dylan, é o som de um homem se mantendo em pé no meio da água. O álbum nasceu a partir de uma única canção, <em>Life is hard</em>, que Dylan escreveu e gravou para o próximo filme de Olivier Dahan, <em>My own love song</em>. Sendo Bob quem é, ele apenas continuou escrevendo e gravando, mas o resultado, dessa vez, pende para o descartável. O que falta no decorrer da obra é aquela sensação de ser tomado de surpresa, despertada pelas melhores canções de Dylan; o sentimento de que, principalmente em suas músicas mais recente, ele está cantando diante de sua própria mortalidade. &#8220;I&#8217;m motherless, fatherless, almost friendless too,&#8221; canta Bob em <em>Shake, Shake Mama</em>, mas a capa genérica de blues poda qualquer senso de dramaticidade, e aquele flash de brilhantismo lírico permanece perdido em uma canção que, como muitas aqui, parece inconclusa e impressionista.</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;) Se <em>Modern Times</em> pode agora ser visto como a parte final de uma trilogia sobre a mortalidade e o arrependimento, que começou com <em>Time out of mind</em> (1997) e continuou com <em>Love and theft</em> (2001), então <em>Together through life</em> soa como um espaço para se recuperar a respiração. Não há nada tão épico ou provocativo como <em>Highlands</em> ou melancólico como <em>Nettie Moore</em>, nada com o peso ou a profundidade daquelas últimas canções de Dylan que possuem a ressonância dos grandes blues e baladas folk que ele ama. No fim, eu estava ouvindo mais ao estranho e sussurrado coaxo de voz do que às palavras mesmas. Até os fiéis podem encontrar suas paciências testadas.”</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Sean O’Hagan (The Observer)</em></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-89" title="Bob Dylan - 02 - Together Through Life" src="http://dylansblues.files.wordpress.com/2009/06/bob-dylan-02-together-through-life.jpg?w=470&#038;h=368" alt="Bob Dylan - 02 - Together Through Life" width="470" height="368" /></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"> “Fãs que brigaram com <em>Modern Times</em> devem se dar melhor com <em>Together through life</em>. Na verdade, a mais dispensável das canções desse conjunto, um blues letárgico e sonolento chamado <em>My Wife’s Home Town</em>, soa mais como um perturbado refúgio pertencente àquele álbum do que como qualquer coisa que se encaixe nesse.</p>
<p style="text-align:justify;">Com tudo dito e feito, entretanto, é possível que a mais inspirada decisão tomada na execução de <em>Together through life</em> tenha sido uma de mera escolha de integrantes. Não há como exagerar o quanto a adição do acordionista David Hidalgo, do Los Lobos, traz à mesa. Ele é o sopro suave que permeia <em>If You Ever Go to Houston </em>como uma corrente termal. Sem ele, <em>This dream of you</em>  teria soado como uma inspirada recauchutagem de <em>Save the last dance for me</em> e <em>Under the boardwalk</em>, mas seu embelezamento “Tex-mex” adorna aquela que pode ser a mais bela canção de Dylan em anos.</p>
<p style="text-align:justify;">No centro, não há como escapar ao peculiar senso de contentamento que emana do cru e granulado timbre de voz do homem cujo nome sustenta isso tudo. Quanto maior nossa admiração por ele se torna, mais ele parece se deleitar com o santuário lhe ofertado por seus músicos. Estando nessa forma, quem pode culpá-lo?”</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Pete Paphides (The times)</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;">“Bob Dylan cantou com muitas vozes em seus discos: o alarme alto e nasalado de “<em>A hard rain’s a-gonna fall</em>”; a despedida ácida em “<em>Like a rolling stone</em>”; o eremita country das <em>Basement tapes</em>; o andarilho sabichão do <em>Love and theft</em>, de 2001 e do <em>Modern times</em>, de 2006. Mas Dylan, que faz 68 anos em maio, nunca soou tão abatido, irritado e lascivo, tudo ao mesmo tempo, como em <em>Together through life</em>. É um disco de sonoridade obscura, muitas vezes surpreendente.  As letras parecem toscas em certos pontos, como primeiros rascunhos, enquanto as performances – por parte da atual banda que acompanha Dylan – soam como improvisos capturados na correria entre datas da Never ending tour. Mas há um magnetismo sinistro correndo por essas 10 novas canções – e a maior parte dele está no canto vividamente mal-tratado de Dylan.</p>
<p style="text-align:justify;">O choque de sua voz vem de imediato. Dylan começa o disco como se não tivesse palavras. &#8220;I love you, pretty baby / You&#8217;re the only love I&#8217;ve ever known / Just as long as you stay with me / The whole world is my throne,&#8221; ele canta no enlameado samba “<em>Beyond here lies nothin’</em>”. É uma abertura simples, despretensiosa, exceto pela forma como é entregue: um rasgo profundo e exausto soa como se o cantor tivesse apanhado duramente e então deixado para morrer no canto da estrada. Quando Dylan chega ao verso que dá nome à música, repetido em cada estrofe, ele grunhe com um escárnio audível. Pelo que pode dizer, não há muito mundo deixado pra se sentar.</p>
<p style="text-align:justify;">O canto de Dylan nunca foi claro e elevado. Mas como um jovem cantor de folk, ele lutou para soar mais velho e mais dolorosamente testado do que era, como se tivesse conhecido Charley Patton, A.P. Carter e a Grande Depressão de antemão. Ele está finalmente lá, com um instrumento autenticamente arrasado, perfeitamente adequado para os cenários devastados dessas canções (&#8230;).</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Together through life</em> é uma reunião de elementos díspares que compõem o Dylan dessa década – impulsivo, cáustico, sentimental, tendo há muito desistido dos detalhes forçados do processo de gravação contemporâneo. O álbum pode não ter a aura de clássico-instantâneo de <em>Love and theft</em> ou <em>Modern times</em>, mas é rico em momentos impactantes, constituído por uma crueza obstinada, e vem com um desfecho perverso. “<em>It’s all good</em>” é um boogie no estilo de John Lee Hooker que começa com merda (&#8220;Big politician telling lies/Restaurant kitchen, all full of flies/Don&#8217;t make a bit of difference&#8221;) e fica cada vez pior (&#8220;Brick by brick, they tear you down/A teacup of water is enough to drown&#8221;). É o retrato de uma América feia, delegando o mais rude darwinismo – sobrevivência do mais frio e mais cruel – e Dylan esfrega sua cara nele. “It’s all good”, ele canta, repetidamente, com um gesto cruel em sua voz, sabendo bem que não está. Mas Dylan sabe também perfeitamente, em quase todas as outras canções do disco, que há força nos números – e esse número é o dois.”</p>
<p style="text-align:justify;"><em>David Fricke (Rolling Stone)</em><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dylansblues.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dylansblues.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dylansblues.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dylansblues.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dylansblues.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dylansblues.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dylansblues.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dylansblues.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dylansblues.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dylansblues.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dylansblues.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dylansblues.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dylansblues.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dylansblues.wordpress.com/87/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=87&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Life and life only.</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 23:07:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Feldman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[  Li, recentemente, a auto-biografia de Eric Clapton. O livro é, entristece-me dizer, uma decepção. Em termos estilísticos configura-se enquanto peça destituída de qualquer fluidez. Mas o grande pecado não é esse (ao adquiri-lo, sabia perfeitamente não estar diante da obra de um novo Goethe!). O grande pecado é o fato de, como acertadamente apontou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=85&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-84" title="Pulitzer Prizes" src="http://dylansblues.files.wordpress.com/2009/06/610x.jpg?w=470&#038;h=371" alt="Pulitzer Prizes" width="470" height="371" /></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Li, recentemente, a auto-biografia de Eric Clapton. O livro é, entristece-me dizer, uma decepção. Em termos estilísticos configura-se enquanto peça destituída de qualquer fluidez. Mas o grande pecado não é esse (ao adquiri-lo, sabia perfeitamente não estar diante da obra de um novo Goethe!). O grande pecado é o fato de, como acertadamente apontou Stephen King em sua resenha para o New York Times, se tratar de um “drunkalogue”, aquele tipo de monólogo recitado por alcóolatras em sessões do A.A. A música é posta em segundo plano aqui. O.K, todos os grandes músicos da décda de 60 são citados, assim como boa parte dos ícones do blues &#8211; de Robert Johnson a Buddy Guy, de Elmore James a Steve Ray Vaugh. Mas o grande protagonista é mesmo o álcool e as drogas. Ou melhor: a triunfo sobre eles.</p>
<p style="text-align:justify;">Tal fato me leva a pensar na diferença fundamental entre, por exemplo, uma obra como essa e as <em>Crônicas</em> de Dylan. Enquanto <em>Eric Clapton: An Autobiography</em> pretende ser um relato honesto, objetivo e realista, o texto de Bob nada mais é do que uma compilação aleatória e poética de acontecimentos. Não há por parte dele nenhum desejo de representação fidedigna dos fatos, não há moral, não há “lição de vida”. Há, isso sim, um discurso, senão inovador, muito mais sofisticado: aquele encarregado de obscurecer as linhas que separam a realidade da ficção. Autor de sensibilidade aguçada, Dylan se entrega a seu passado, fazendo dele, aos moldes de Proust, a matéria-prima para uma obra delirante. Seu objetivo não é edificar um sentido unilateral: é riscar suas pautas na areia. Seu desejo é apreender a matéria do tempo, considerando o fato de que a única forma de fazê-lo é o deixando passar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dylansblues.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dylansblues.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dylansblues.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dylansblues.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dylansblues.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dylansblues.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dylansblues.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dylansblues.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dylansblues.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dylansblues.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dylansblues.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dylansblues.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dylansblues.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dylansblues.wordpress.com/85/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=85&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Pulitzer Prizes</media:title>
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		<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 23:04:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Feldman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[  Se você é um dylanmaníaco e possui textos, traduções ou qualquer tipo de material relacionado à obra desse grande artista, divida conosco! justlikebobdylansblues@yahoo.com.br Come all without, come all within! Façamos do Dylan&#8217;s blues o grande blog sobre Bob do Brasil!<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=81&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p> </p>
<p>Se você é um dylanmaníaco e possui textos, traduções ou qualquer tipo de material relacionado à obra desse grande artista, divida conosco!</p>
<p><a href="mailto:justlikebobdylansblues@yahoo.com.br">justlikebobdylansblues@yahoo.com.br</a></p>
<p>Come all without, come all within! Façamos do <em>Dylan&#8217;s blues</em> o grande blog sobre Bob do Brasil!</p>
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		<title>Trazendo tudo pra casa.</title>
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		<pubDate>Sat, 30 May 2009 13:10:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Feldman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[  Após mais de uma década de ostracismo, Bob Dylan voltou a despontar sob os holofotes. Com o fenomenal Time out of mind e a enxurrada de grammys que o sucederam, Dylan retornou com força total, produzindo mais dois clássicos (os geniais “Love and theft” e Modern times) e assegurando o posto de maior compositor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=77&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-79" title="bringing_it_all" src="http://dylansblues.files.wordpress.com/2009/05/bringing_it_all1.jpg?w=470&#038;h=470" alt="bringing_it_all" width="470" height="470" /></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Após mais de uma década de ostracismo, Bob Dylan voltou a despontar sob os holofotes. Com o fenomenal <em>Time out of mind</em> e a enxurrada de grammys que o sucederam, Dylan retornou com força total, produzindo mais dois clássicos (os geniais “<em>Love and theft”</em> e <em>Modern times</em>) e assegurando o posto de maior compositor da história do pop.</p>
<p style="text-align:justify;">Contudo, as recorrentes justificativas para o impacto de sua obra no decorrer das décadas sempre me pareceram bastante redutoras. Dizer que o cantor “deu um cérebro ao rock”, que suas letras de protesto alteraram a consciência de toda uma geração e que as metamorfoses de seu estilo são os fatores primordiais para a manutenção da “lenda” que se construiu em torno dele, não são argumentos suficientes para explicar a excelência de suas realizações. Ao contrário: apenas o circunscrevem de modo mais estreito no interior de um contexto específico, ajudando a fomentar a idéia de que Bob é um típico “trovador da década de 60”, um artista datado e que, embora tenha sido fundamental para o desenvolvimento de certas linguagens, em nada se relaciona à realidade da música contemporânea (noção facilmente refutada, haja vista a própria relevância de sua fase atual – uma das mais profícuas e complexas de toda sua carreira). Além disso, a insistência em se ressaltar a primazia literária de suas letras (embora ela seja real), ignorando-se suas significativas contribuições musicais, dá espaço para que pessoas como Bjork enxerguem em suas composições uma mera “uma cama para a literatura” – comentário que, sem sombra de dúvidas, reflete uma compreensão absolutamente equivocada do universo dylanesco. Falemos, então, um pouco sobre um de seus maiores clássicos, a fim de ilustrar, a partir de um exemplo concreto, o quão debitário é o universo da música pop de suas contribuições.  </p>
<p style="text-align:justify;">De modo absolutamente não programático, Dylan lançou com seus primeiros discos a base fundamental da música pop. Assim como os Beatles, os Stones e outros artistas daquele contexto, Bob conseguiu não apenas resgatar uma certa tradição do cancioneiro americano (no caso, a folk music e o blues), valorizando-a aos olhos de uma audiência muito mais ampla, como foi capaz de, através do uso de expedientes extremamente sofisticados, renová-la, munindo-a de aspectos no mínimo improváveis. Preocupado, como todo bom compositor popular, em manter um equilíbrio entre as propriedades melódicas (fluídicas) de suas criações e sua natureza propriamente rítmica (concreta), Dylan, integrando uma tradição que engloba obras de mestres como Robert Johnson, Woody Guthrie e os vários heróis da Sun Records,  desnudou o modelo básico da canção, apresentando ao grande público a essência mesma de tal linhagem musical.</p>
<p style="text-align:justify;">Contudo – apesar do alcance de suas realizações, elevado pelo advento de novas mídias –, essa operação metacrítica, em termos formais, não o distanciava tanto de seus predecessores. Com exceção das fantásticas inovações literárias orientadas pela imposição de influências eruditas (até então impensadas no interior desse paradigma), as canções de Bob da fase que vai de <em>Freewillin’</em> a <em>Another side</em> encontram-se, ainda, plenamente imersas no campo próprio do folk. Tudo isso mudaria, contudo, com o aparecimento do divisor de águas que foi <em>Bringing it all back home</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Falar sobre o impacto histórico desse álbum me parece desnecessário. A via-crucis que marca a transição de Bob para o cenário do pop já foi tão exaustivamente documentada pela mídia em geral que me sinto desestimulado a escrever sobre tal tema (aos interessados, contudo, fica como dica o filme <em>No direction home</em>, de Martin Scorsese). Detenhamos-nos, portanto, de modo breve, nas alterações propriamente formais que o disco traz. Em primeiro lugar, <em>Bringing</em> não é um disco de rock. Tampouco se trata de um disco de folk, em sua acepção mais pura. Ao incorporar guitarras elétricas, baixos e baterias a suas composições, Bob Dylan dá prosseguimento a um processo perceptível de libertação em relação a suas raízes. Como faz isso? Confirmando-as ao ponto de desfigurá-las! Fruto de um processo gradual, o disco não se posiciona em um campo específico, somando a seu interior, como se fossem arabescos, elementos oriundos de outros estilos. A operação aqui é muito mais complexa: Dylan, através de uma sensibilidade afiada para o que acontecia na música e na arte em geral, foi capaz de, em termos estruturais, amalgamar as principais inovações do rock n’ roll à sua amada folk music e ao blues, introduzindo ainda nesse caldeirão as já citadas influências literárias, ideológicas e plásticas que o tornaram tão notório.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa operação de cooptação e complementaridade, a um só tempo, intensificaram o “espírito folk” do álbum – ao torná-lo mais cru, mas rascante – e o dissiparam quase que por completo. Nesse sentido, esse álbum híbrido pode ser lido como um verdadeiro tratado do pop, reunindo, assim como os Beatles fariam com seu <em>White Álbum</em> três anos mais tarde (ainda que por outras vias), todos os aspectos necessários para a formulação de um disco de canções populares.</p>
<p style="text-align:justify;">Verdadeira poética do cancioneiro americano, <em>Bringing it all back home</em> (seguido pelos já melhor “depurados” <em>Highway 61 revisited</em> e <em>Blonde on blonde</em>) surge não apenas como um marco fundamental no interior da carreira de Bob Dylan, mas como uma fonte inesgotável de inspiração para todos os músicos pertencentes a tal ceara.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dylansblues.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dylansblues.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dylansblues.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dylansblues.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dylansblues.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dylansblues.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dylansblues.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dylansblues.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dylansblues.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dylansblues.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dylansblues.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dylansblues.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dylansblues.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dylansblues.wordpress.com/77/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=77&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Highlands.</title>
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		<pubDate>Thu, 21 May 2009 20:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Feldman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[  Estou ouvindo Highlands, uma das mais subestimadas obras-primas de Dylan. Numa das minhas estrofes favoritas, o ouvimos gemer:  The sun is beginning to shine on me But it’s not like the sun that used to be The party’s over, and there’s less and less to say I got new eyes Everything looks far away [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=68&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-69" title="Highlands2" src="http://dylansblues.files.wordpress.com/2009/05/highlands2.jpg?w=470&#038;h=324" alt="Highlands2" width="470" height="324" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align:justify;">Estou ouvindo <em>Highlands</em>, uma das mais subestimadas obras-primas de Dylan. Numa das minhas estrofes favoritas, o ouvimos gemer: </p>
<p><em>The sun is beginning to shine on me</em><em><br />
<em>But it’s not like the sun that used to be</em><br />
<em>The party’s over, and there’s less and less to say</em><br />
<em>I got new eyes</em><br />
<em>Everything looks far away</em></em></p>
<p style="text-align:justify;">A fala de um moribundo, de um velho amargurado mirando seus erros passados e, tragicamente, prostrando-se diante da perda de sua própria humanidade? Sim e não. O cheiro do fracasso que percorre toda a letra leva o eu-lírico a desejar fugir para um local ideal, onde possa evitar a realidade que tanto mal lhe causou. A genialidade da composição reside no jogo de espelhamentos de que se constitui: de um lado, a existência cotidiana, pavorosa, tediosa, incapaz de permitir a seu intérprete uma via de acesso satisfatória; do outro, as reiteradas imagens das planícies intangíveis, dos campos verdejantes, que podem bem ser lidas como representações do paraíso cristão (implicando a vontade do eu-lírico de morrer), ou, tão somente, como um espaço imaginário (sua própria Arcádia) que, por conta de sua atemporalidade e beleza, se opõe à ordem decadente do mundo, servindo como uma metáfora para o isolamento. Formalmente, a cisão entre esses dois cenários antagônicos é salientada através de um uso diferenciado da linguagem. A representação do mundo concreto se dá de modo irônico, por intermédio do emprego de um humor que oscila entre o crítico e o nonsense. A tensão entre o descontentamento mais agudo e a ausência de consciência clara acerca do que está acontecendo parece embalar a maioria dos versos da canção, como comprova, por exemplo, o longo diálogo entre o artista e a garçonete (marcado pela negação, pelo estranhamento e pela inconclusibilidade). Já as descrições do cenário idealizado das <em>highlands</em> são executadas de forma extremamente elegante, compondo os momentos “sublimes” da obra, como se pode comprovar através de estrofes como:</p>
<p><em>Well my heart&#8217;s in the Highlands gentle and fair<br />
Honeysuckle blooming in the wildwood air<br />
Bluebelles blazing, where the Aberdeen waters flow<br />
Well my heart&#8217;s in the Highland,<br />
I&#8217;m gonna go there when I feel good enough to go</em></p>
<p style="text-align:justify;">Os fãs de Dylan sabem que o período de gestação de <em>Highlands</em> não foi o mais feliz de sua vida. Provavelmente por esse motivo, todas as canções presentes em <em>Time out of mind</em>, de uma forma ou de outra, flertam com a escuridão, sendo a decepção amorosa, o ressentimento diante de um mundo absurdo, o arrependimento e a perspectiva, a um só tempo, radiosa e temível da morte, os temas centrais do álbum. Porém, os fãs de Dylan também sabem que, embora muito de sua vida pessoal se encontre representado nas suas criações, sua genialidade nunca o permitiu usá-las como um mero espelho de seus estados de espírito. Dividido entre a concepção romântica de arte inspirada, pessoal e passional, e a compreensão contemporânea do discurso artístico enquanto <em>mecané</em>, constructo, Dylan, a um só tempo, humanizou e intelectualizou as estruturas do cancioneiro popular, concedendo-lhe consistência poética e uma inegável carga subjetiva. O que me atrai em uma canção como <em>Highlands</em> é, justamente, o fato de, possuindo apenas 26 anos incompletos, nunca tendo conhecido Boston ou sonhado em vislumbrar as águas do Black Swan, eu ser capaz de me identificar com os sentimentos de alienação, perda e descontentamento descritos ali, sem, contudo, ignorar o caráter idiossincrático dos elementos expressivos de que se vale. Creio ser essa a característica fundamental que difere a arte realmente relevante do entretenimento banal e rasteiro: a possibilidade de, filiando-se a uma dada tradição, superar não apenas as barreiras da língua e do tempo, mas de suas próprias intenções primeiras.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dylansblues.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dylansblues.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dylansblues.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dylansblues.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dylansblues.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dylansblues.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dylansblues.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dylansblues.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dylansblues.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dylansblues.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dylansblues.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dylansblues.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dylansblues.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dylansblues.wordpress.com/68/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=68&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Feldman</media:title>
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			<media:title type="html">Highlands2</media:title>
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		<title>Greil on Bob.</title>
		<link>http://dylansblues.wordpress.com/2009/05/16/greil-on-bob/</link>
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		<pubDate>Sat, 16 May 2009 17:44:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Feldman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[  Conversava com um amigo sobre a fase atual de Dylan. Muitas vezes me perguntei: existiria na história do pop algum caso que se assemelha ao de Bob - em que alguém, após estourar na mídia, compor uma série de clássicos, amargar uma longa fase de ostracismo e morrer, tenha sido capaz de ressurgir de modo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=67&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Conversava com um amigo sobre a fase atual de Dylan. Muitas vezes me perguntei: existiria na história do pop algum caso que se assemelha ao de Bob - em que alguém, após estourar na mídia, compor uma série de clássicos, amargar uma longa fase de ostracismo e <em>morrer</em>, tenha sido capaz de ressurgir de modo tão absolutamente vigoroso como ele ressurgiu? Meu amigo asseverou: “Cara, tem não… <em>It takes a Bob Dylan to be born again</em>“. A capacidade desse gênio maior da música popular de se reinventar, de renascer das cinzas e, após quase 40 anos na estrada, conseguir recomeçar do zero, é, para mim, mais do que um pequeno milagre artístico, um modelo de conduta e um exemplo de força. Sobre essa questão, o texto mais esclarecedor que já li foi a entrevista que <a href="http://www.powells.com/authors/marcusg.html">Greil Marcus</a>, na posição de grande conhecedor da obra de Dylan, deu a Dave Weich em 2001. Diz o jornalista:</p>
<p style="text-align:justify;">“Eu não tenho idéia do que seja a vida particular de Dylan, mas deixando isso de lado, em relação à sua vida profissional e em relação à música que estava fazendo [<em>durante sua "fase de declínio"</em>], ele criou um disco pobre atrás do outro, e todas as vezes em que um desses discos saía, fosse <em>Red Sky</em> ou <em>Empire Burlesque</em> ou <em>Knocked Out Loaded</em> ou <em>Oh Mercy</em> ou <em>Infidels</em>, qualquer um desses discos bem ruins que não faziam nenhum sentido, não se mantinham de pé, não possuíam um ponto e não precisavam existir, todas as vezes a <em>Rolling Stone</em> e muitas outras publicações disseram ‘Ele está de volta! Ele conseguiu! Ele realmente atingiu o alvo! Esse é o melhor disco que fez em dez… em vinte anos! Desde <em>Blood on the Tracks</em>! Desde <em>Blonde on Blonde</em>!? tanto faz. Chegou a um ponto em que alguém escreveu uma paródia hilária de todos esses discos da fase ‘O verdadeiro Dylan re-emergiu’!</p>
<p style="text-align:justify;">Então imagine que você é uma pessoa séria, um artista que sabe que a arte está lá fora no mundo, mas, de algum modo, atingiu um ponto em que não pode tocá-la. Você não pode realmente chegar lá. E todas as vezes em que faz algo que sabe ser fruto de concessões, uma fraude, algo que simplesmente rascunhou, pessoas correm em direção a ele e o celebram como se fosse a melhor coisa que você pode fazer. Como você se sente? É o oposto do que eu dizia antes, quando seu melhor trabalho é rejeitado. Isso é uma coisa. Quando seu pior trabalho é celebrado, isso quer dizer que as pessoas não se importam. Elas não conseguem medir a diferença.</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;) Bem, ele resolveu fazer esse pequeno disco, <em>Good As I Been To You</em>, esse disco engraçado, sexy, distante e estranho. Lança-o, por qualquer motivo, no dia da eleição de 1992. No ano anterior ele montou uma nova banda com John Jackson, Tony Garnier e uns outros dois, a banda que usou para aceitar seu Prêmio pelo Conjunto da Obra, no Grammy de 91 e tocar ‘Masters of War’ no meio da guerra do Golfo. A versão mais elétrica, veloz, indecifrável, furiosa e ameaçadora imaginável. Demorei um minuto para perceber que canção era aquela e só percebi pela melodia, não pelas palavras – mas era tão excitante! O tipo de música que você não escuta na tv.</p>
<p style="text-align:justify;">Bem naquela época, ele está redescobrindo o mais antigo tipo de música que pode tocar, que pode transformar, que é dele. E também decidiu – algo que a maioria das pessoas não faria em sua idade, aos 51 anos – decide se tornar um guitarrista solo. Ele começa a tocar <em>lead guitar</em> em sua própria banda.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos shows que estava dando em 1994 e 95, qualquer canção seria dois terços instrumental. As canções eram uma desculpa para ele se alongar e tocar de um modo como nunca tocou antes. Com aquele ímpeto, descobrindo sua antiga música, descobrindo habilidades que nem sabia que tinha ou nunca ousou apresentar em público, ele encontra seu caminho rumo a <em>Time Out Of Mind</em>, um conjunto de canções novas que todos têm a impressão de que poderiam ter sido escritas há cem ou duzentos anos. Elas foram compostas a partir de canções antigas com as quais ele andou limpando a garganta em <em>Good As I</em><em> Been To You</em> e <em>World Gone Wrong</em>, em 92  e 93.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele estabeleceu um novo patamar, e é lá que vive, nessa área ampla, plana, observando do alto toda a sua carreira. Ele fez algo tão bom quanto qualquer coisa que tenha feito, e diferente de tudo o que tenha feito. Por ora, isso é tudo o que precisa fazer. Ele está no topo de sua carreira.”</p>
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		<title>Bobby &amp; Archie.</title>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2009 18:33:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Feldman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[  “Eu acabara de voltar para Woodstock vindo do Meio-Oeste – do funeral de meu pai. Havia uma carta de Archibald MacLeish à minha espera em cima da mesa. MacLeish, poeta laureado da América – um deles. Carl Sandburg , poeta da pradaria e da cidade, e Robert Frost, o poeta das meditações sombrias, eram [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=52&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-53" title="macleish" src="http://dylansblues.files.wordpress.com/2009/05/macleish.jpg?w=325&#038;h=351" alt="macleish" width="325" height="351" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align:justify;">“Eu acabara de voltar para Woodstock vindo do Meio-Oeste – do funeral de meu pai. Havia uma carta de Archibald MacLeish à minha espera em cima da mesa. MacLeish, poeta laureado da América – um deles. Carl Sandburg , poeta da pradaria e da cidade, e Robert Frost, o poeta das meditações sombrias, eram os outros. MacLeish era o poeta das pedras noturnas e da terra veloz. Esses três, o Yeats, o Browning e o Shelley do Novo Mundo, eram personalidades impressionantes, haviam definido a paisagem da América do século XX. Colocaram tudo em perspectiva. Mesmo que não conheça os poemas deles, você conhece seus nomes.</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;) A carta de Archie dizia que ele gostaria de se encontrar comigo para discutir a possibilidade de eu compor algumas canções para uma peça que ele estava escrevendo, chamada <em>Scratch</em>, baseada em um conto de Stephen Vincent Benet. MacLeish havia recebido um prêmio Tony na Broadway por uma de suas peças, chamada <em>JB</em>. Minha esposa e eu fomos de carro até Conway, Massachusetts, onde ele vivia, para falar sobre a nova peça. Pareceu algo civilizado de se fazer. MacLeish escrevia poemas profundos, era o homem da terra ímpia. Podia pegar personagens reais da história, gente como o imperador Carlos ou Montezuma ou Cortés, o conquistador, e entregá-los na sua porta com o toque terno de um criador. Louvava o sol e o grande céu. Ir visita-lo era o mais adequado.</p>
<p style="text-align:justify;">Os fatos do momento, toda a mistificação cultural, estavam aprisionando minha alma, me enojavam – direitos civis e líderes políticos abatidos a tiros, as barricadas nas ruas e os deslizes do governo, estudantes radicais e manifestantes enfrentando os tiras e os sindicatos, as ruas explodindo, a raiva em plena ebulição, os anticomunas, as vozes mentirosas, ruidosas, o amor livre, o movimento anti-sistema financeiro, o sistema todo. Eu estava decidido a me posicionar além do alcance de tudo aquilo. Agora eu era um homem de família, não queria me vincular àquela imagem de grupo.</p>
<p style="text-align:justify;">A casa de MacLeish ficava depois de uma aldeia graciosa em uma pacata estada de loureiros em uma montanha – folhas reluzentes de plátano empilhadas em montes altos em volta da alameda. Foi fácil transpor a ponte para pedestres que levava a uma cabana de jardim sombreada pelo bosque e a um chalé de pedra reconstruído e ao qual fora acrescentada uma cozinha moderna, o estúdio de MacLeish. Um caseiro nos conduziu para dentro do estúdio, e sua esposa colocou uma bandeja de chá sobre a mesa, disse algo cordial e saiu. Minha esposa foi com ela. Dei uma olhada na sala. Havia botas de jardinagem em um canto, fotos em cima da mesa e nas paredes. Flores de coroas rendilhadas com hastes escuras – cestas de flores, gerânios, flores com folhas empoeiradas –, toalha branca, pratos de prata, lareira resplandecente, sombras circulares&#8230; uma floresta de varanda em pleno florescimento do lado de fora da janela.</p>
<p style="text-align:justify;">Descobri a aparência de MacLeish por meio de fotos. Havia um instantâneo dele quando garoto em cima de um pônei encilhado, com uma mulher de gorro segurando as rédeas. Outras fotos – Archie à frente de sua turma em Harvard, fotos dele em Yale e como capitão de artilharia na Primeira Guerra Mundial, em outra foto ele posa com um pequeno grupo de pessoas diante da Torre Eiffel, fotos dele tiradas na Biblioteca do Congresso, em outra foto está com o conselho de editores da revista <em>Fortune</em>. Em outra, aparece recebendo o prêmio Pulitzer&#8230; há também uma foto dele e alguns advogados em Boston. Ouvi passos vindo pela trilha de pedra, e ele entrou na sala, aproximou-se e estendeu a mão.    </p>
<p style="text-align:justify;">Ele tinha a aura de um governante, um mandatário – um oficial em cada detalhe, um aventureiro e um <em>gentleman</em> que se portava com a confiança peculiar do poder produzido por uma boa estirpe. Ele foi direto ao assunto, começou no ponto exato . Reiterou algumas coisas que dissera na carta. (Em sua carta, havia feito menção a algumas linhas de uma canção minha que colocava T.S.Eliot e Ezra Pound lutando simbolicamente na torre do capitão.) “Pound e Eliot eram excessivamente pedantes, não eram?”, disse ele. O que sei de Pound é que era simpatizante nazista na Segunda Guerra Mundial e fez transmissões antiamericanas da Itália. Nunca o li. Eu gostava de T.S.Eliot. Valia a pena lê-lo. Archie disse: “Conheci ambos. Homens duros. Temos que suplantá-los. Mas sei o que você quer transmitir quando diz que eles estão brigando em uma torre de capitão”. MacLeish falou a maior parte do tempo, contou-me coisas notáveis sobre o romancista Stephen Crane, que escreveu <em>A glória de um covarde</em>. Disse que ele era um repórter sempre doente e sempre do lado dos oprimidos – fazia reportagens sobre o Bowery para revistas, e uma vez escreveu um artigo defendendo uma prostituta que estava sendo achacada pela polícia de costumes si para fazer a polícia de costumes voltar-se contra ele e arrasta-lo ao tribunal. Não ia a coquetéis nem a estréias de teatro – foi para Cuba cobrir a guerra cubana, bebeu um monte e morreu de tuberculose ais 28 anos. MacLeish tinha mais do que um conhecimento superficial sobre Crane, disse que ele era um homem que fazia as coisas por si mesmo e que eu devia dar uma conferida em A glória de um covarde. Soou como se Crane fosse o Robert Johnson da literatura. Jimmie Rodgers também morreu de TB. Fiquei imaginando se os caminhos deles haviam se cruzado um dia.</p>
<p style="text-align:justify;">Archie disse que gostava de uma canção minha chamada “John Brown”, sobre um garoto que vai para a guerra. “Não acho que a canção seja absolutamente sobre esse garoto. Realmente, é mais como um drama grego, não é? É sobre as mães”, ele disse. “Os diferentes tipos de mães – biológicas, honorárias&#8230; todas as mães empacotadas em uma.” Eu nunca havia pensado nisso, mas pareceu correto. Ele mencionou uma linha de uma de minhas canções, que diz “goodness hides behind its gates”, e perguntou se eu realmente via daquele jeito, e eu disse que às vezes parecia ser assim. A certa altura, eu ia perguntar o que ele achava de Ginsberg, Corso e Kerouac, espertos e maneiros, mas pareceu que seria uma pergunta vazia. Ele perguntou se eu havia lido Safo ou Sócrates. Eu disse que não, não tinha, e ele então perguntou o mesmo a respeito de Dante e Donne. Eu disse que não muito. Ele disse que a coisa a lembrar quanto a eles é que você sempre sai por onde entrou.</p>
<p style="text-align:justify;">MacLeish disse que me considerava um poeta sério e que meu trabalho seria a pedra de toque para gerações depois de mim, que eu era um poeta pós-guerra da Era de Ferro, mas que eu parecia ter herdado algo metafísico de uma era passada. Ele apreciava minhas canções porque elas se envolviam com a sociedade, porque tínhamos muitos traços e associações em comum, e eu não ligava para as coisas do mesmo modo que ele não ligava para elas. A certa altura ele teve que pedir licença por um momento e saiu da sala. Dei uma olhada para fora da janela. O sol da tarde estava baixando, lançando um fulgor vago sobre a terra. Uma lebre precipitou-se pelas lascas espalhadas perto da piha de lenha. Quando ele retornou, as coisas recuaram de volta para os seus lugares. MacLeish retomou de onde havia parado. Disse que Homero, que escreveu a <em>Ilíada</em>, era um trovador cego, e que seu nome significava “refém”. Também disse que existe uma diferença entre artes e propaganda e explicou a diferença entre seus respectivos efeitos. Perguntou se eu já tinha lido o poeta francês François Villon alguma vez; falei que sim, e ele então disse que via uma leve influência em meu trabalho. Archie falou sobre verso branco, verso rimado, poema de versos elegíacos, baladas, poemas humorísticos de cinco versos e sonetos. Perguntou o que eu havia sacrificado para ir no encalço de meus sonhos. Disse que o valor das coisas não pode ser medido pelo que elas custam, mas pelo que custa a você obtê-las, que, se alguma coisa custa sua fé ou sua família, então o preço é alto demais e que existem algumas coisas que jamais irão se desgastar. MacLeish fora colega de turma de Douglas MacArthur em West Point e também falou sobre ele. Falou ainda sobre Michelangelo, disse que Michelangelo não tinha amigos de nenhuma espécie e não queria nenhum, não falava com ninguém. Archie contou-me que um monte de coisas que estavam acontecendo quando ele era jovem já tinham ficado pra trás. Falou sobre J.P.Morgan, o financista, uma das seis ou oito pessoas que eram donas de toda a América no início do século XX. Morgan havia dito: “A América está de bom tamanho pra mim”, e um senador replicou que, se ele um dia mudasse de idéia, deveria devolvê-la. Não havia meio de medir a alma de um homem desses.</p>
<p style="text-align:justify;">MacLeish perguntou quem eram meus heróis de menino, e eu disse: “Robin Hood e são Jorge, o matador de dragões”. “Você não iria querer ficar de mal com eles”, disse MacLeish, com um risinho. Ele falou que havia esquecido o significado de muitos de seus primeiros poemas e que um poeta autêntico cria um estilo próprio, umas poucas obras-primas permanecem ao longo dos anos A peça para a qual ele queria que eu escrevesse algumas canções estava em cima da mesa de leitura. Ele queria canções que fizessem um comentário que acompanhasse as cenas, e começou a ler algumas das falas em voz alta e sugeriu alguns títulos de canções – “Father of the Night”, “Red Hands”, “Lower World” foram alguns deles.</p>
<p style="text-align:justify;">Após escutar com atenção, percebi intuitivamente que não achava que aquilo fosse pra mim. Depois de ouvir algumas linhas do roteiro, não vi como nossos destinos poderiam se entrecruzar. Aquela peça era sombria, retratava um mundo de paranóia, culpa e medo – tudo estava obscurecido, e batia de frente contra a era atômica, exalando infâmia. Não havia realmente muito a dizer ou acrescentar. A peça prenunciava morte para a sociedade, com a humanidade jazendo de cara em seu próprio sangue. A peça de MacLeish estava exprimindo algo para além de uma mensagem apocalíptica. Algo do tipo: a missão do homem é destruir a Terra. MacLeish estava sinalizando através das chamas. A peça era a fim de alguma coisa, e eu não achei que quisesse saber do quê. Assim sendo, disse a MacLeish que ia pensar no assunto.”</p>
<p style="text-align:justify;">(<em>Crônicas – vol.1, de Bob Dylan</em>)<em></em></p>
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		<title>Bootlegs.</title>
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		<pubDate>Thu, 14 May 2009 07:13:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Feldman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[  Qual é seu bootleg favorito? Se você não é um dylanmaníaco, talvez não saiba do que estou falando. Então explico: Bob Dylan é o cara mais pirateado da história da música pop. Isso é fato. Howard Sounes dedicou uma vasta parte da biografia que escreveu sobre Bob a esse tema. Desde a década de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=48&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-50" title="bdpc7072" src="http://dylansblues.files.wordpress.com/2009/05/bdpc7072.jpg?w=288&#038;h=383" alt="bdpc7072" width="288" height="383" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align:justify;">Qual é seu bootleg favorito? Se você não é um dylanmaníaco, talvez não saiba do que estou falando. Então explico: Bob Dylan é o cara mais pirateado da história da música pop. Isso é fato. Howard Sounes dedicou uma vasta parte da biografia que escreveu sobre Bob a esse tema. Desde a década de 60, incontáveis versões ilegais de shows, lados-B e todas as modalidades de restos e rapas de gravações relacionados a Dylan foram comercializados, para a alegria dos fãs e o desespero do compositor. Foi graças a essa avalanche de material que, por exemplo, as famosas <em>Basement tapes</em> vieram à tona, obrigando a Columbia a lançar uma versão masterizada anos mais tarde. Foi também por conta dela que, nos idos da década de 80, surgiu <em>Biograph</em>, uma caixa contendo 5 LPs repletos de outtakes e faixas inéditas. Embora a compilação reúna igualmente registros presentes em outros discos oficiais, é considerada por muitos uma espécie de prefácio para o que viriam a ser os <em>Bootleg series</em>, que com <em>Tell tale signs</em>, do ano passado, chegaram a seu oitavo volume.</p>
<p style="text-align:justify;">A iniciativa por detrás de <em>Biograph</em> e dos <em>Bootleg series</em> reflete não apenas o nobre objetivo de apresentar à audiência composições perdidas da carreira do cantor, como uma reação contra a pirataria, traduzindo o famoso mote “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Contudo, apesar da inegável qualidade e da importância desses álbuns, é ainda nas versões ilegais, em circulação por todos os cantos (e de forma ainda mais livre nesses nossos tempos cibernéticos), que se encontram alguns dos maiores tesouros de Dylan. Como todo fã <em>die-hard</em> do cara, possuo minha listinha de bootlegs favoritos. Destaco aqui os três que mais curto.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Bob Dylan &amp; the band – Isle of Wight Festival 1969</em> traz a gravação do lendário show de retorno de Dylan. Após o misterioso acidente de moto que o afastou dos holofotes por dois anos, o compositor voltou aos palcos junto com a Band, dando continuidade à sua carreira e início a uma de suas mais inusitadas fases. Sob os influxos solares de <em>Basement tapes</em>, <em>John Wesley Harding</em> e <em>Nashville Skyline</em>, esse Dylan pacífico, doce, familiar, em nada lembrando o “demônio de combate” – para usar a expressão baudelaireana – da fase <em>Highway 61</em>, exala carisma e musicalidade  ao lado do lendário grupo de apoio liderado por Robbie Robertson. O clima de despojamento e tranqüilidade é total, sentido tanto na entonação country das guitarras quanto na voz estranhamente aveludada de Bob, responsável por conceder a algumas de suas composições antigas (como <em>She belongs to me</em> e, sobretudo, <em>Like a rolling stone</em>) uma coloração totalmente nova. Destaco ainda a presença da divertidíssima <em>Quinn the Eskimo</em>, e a versão de <em>To Ramona</em> – provavelmente, a mais linda que já executou.</p>
<p style="text-align:justify;">Meu “ao vivo” favorito, contudo, permanece sendo aquele gravado em Avignon, na turnê de 1981 do disco <em>Shot of love</em>, apogeu da “fase cristã”. Sei que essa não é uma fase muito popular, mas, mesmo não me identificando com as mensagens de muitas das músicas desse período, as considero, do ponto de vista estético, verdadeiras obras-primas. Penso também ser esse o momento em que Bob atinge seu ápice enquanto cantor. A apresentação em Avignon, registrada em um bootleg de grande qualidade, traz as melhores interpretações que composições de <em>Slow train coming</em>, <em>Saved</em> e <em>Shot of love</em> já tiveram, além de conter impressionantes versões de clássicos como <em>Girl from the north country</em> (uma semelhante, mas desprovida da mesma intensidade, se encontra no oficial <em>Real Live</em>), <em>Like a rolling stone</em> (incríveis backing vocals!), uma quase irreconhecível <em>Knocking on heaven’s door</em>, cheia de suingue e marcada por um dos melhores solos de gaita que já ouvi Bob tocar, e na mais feroz de todas as versões de <em>Maggie’s farm</em>. Se há um problema em <em>Avignon, France, 25th July 1981</em>, é a presença dos números paralelos (canções gospel tradicionais interpretadas pro Carol Dennis) que, a meu ver, quebram o ritmo da apresentação. Mas, ainda assim, tais interrupções não bastam para diminuir a importância do registro, responsável por evidenciar a muitos céticos a grandeza que se esconde por detrás de diversas composições desse período, por vezes ocultada em função da pobreza das gravações de estúdio. É o caso de, sobretudo, <em>Slow train</em>, <em>Heart of mine, When you gonna wake up,</em> <em>Man gave name to all the animals</em> e, obviamente, <em>Shot of love</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Finalmente, como falar dos bootlegs de Dylan sem remeter ao lendário <em>Ten of spades</em>? Pouco antes do lançamento do já citado <em>Biograph</em>, surgiu no “mercado negro” essa coleção de 20 LPs (é isso mesmo! 20!), contendo 134 canções. Outtakes de todos os discos gravados entre 62 e 65, ou seja, do debut a <em>Highway</em> <em>61</em>; o já clássico concerto no “Albert Hall”; as Minessota tapes (gravações caseiras feitas por Tony Glover na casa de Dave Whitaker em 1961 – antes do lançamento do disco <em>Bob Dylan</em>); maravilhosas gravações de um pequeno show apresentado no Café Gaslight, em Nova York (1962); o concerto no Carnegie Hall em 63, onde Bob declama seu lendário poema <em>Last thoughts on Woodie Guthrie;</em> e uma série de outras canções inéditas gravadas em diversos contextos, se encontram reunidos nesse que é, sem sombra de dúvidas, o bootleg dos bootlegs. Impossível destacar seus pontos altos, uma vez que é composto, do início ao fim, exclusivamente por eles! Das revisões que o jovem cantor faz de clássicos do folk e do blues, como <em>Cocaine</em>, <em>Kind hearted woman</em>, <em>Walkin’ down the line</em>, <em>He was a friend of mine</em> e <em>Rocks and gravels</em> (sendo aquela registrada em Gaslight, talvez, a minha interpretação favorita de Bob para qualquer canção que não seja de sua autoria), às versões de <em>Can you please crawl out your window</em>, <em>John Brown</em>, <em>Love minus zero/ No limits</em>, <em>Let me die in my footsteps</em> (contendo versos cortados da gravação pertencente ao <em>Bootleg series vol.1</em>!) e a deliciosa <em>Bob Dylan&#8217;s New Orleans Rag 1</em>, tudo em <em>Ten of spades</em> é ouro puro. A caixa também antecipou o lançamento de algumas das principais gemas de <em>Biograph</em>. É o caso da obra-prima <em>Lay down your weary tune</em> e de <em>I’ll keep it with mine</em>, acrescida aqui de um diálogo curioso entre Dylan e, creio eu, Tom Wilson, produtor de <em>The times they are a-changin’</em>, <em>Another side</em>, <em>Bringing it all back home</em> e <em>Highway 61 revisited</em>, na qual, no curto intervalo entre uma tomada e outra, ouvimos o espirituoso cantor “corrigindo” a indicação do produtor:</p>
<p>-  C085271, “Alcatrass to the night power”.</p>
<p>-  NO! That’s not the name of it!</p>
<p>-  That’s what you told me when you left!</p>
<p>-  I switched thoughs, this song’s ah…ahn… hum… BANK ACCOUNT BLUES!</p>
<p>-  Hehehe! Correct cule: Bank account blues! Take 1, rolling!</p>
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		<title>Together through life.</title>
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		<pubDate>Thu, 14 May 2009 07:10:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Feldman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando o assunto é Bob Dylan, Scott Warmuth não dá mole. Jornalista e DJ, ele foi o primeiro a sacar a existência de vários versos de Ovídio em Modern Times. Foi também o primeiro a detectar a sombra dos Canterbury Tales, de Chaucer, na versão de Ain’t talkin’ presente no Tell tale signs. Com o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dylansblues.wordpress.com&amp;blog=7707692&amp;post=43&amp;subd=dylansblues&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Quando o assunto é Bob Dylan, Scott Warmuth não dá mole. Jornalista e DJ, ele foi o primeiro a sacar a existência de vários versos de Ovídio em <em>Modern Times</em>. Foi também o primeiro a detectar a sombra dos <em>Canterbury Tales</em>, de Chaucer, na versão de <em>Ain’t talkin’</em> presente no <em>Tell tale signs</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Com o lançamento de <em>Together through life</em>, Warmuth se impôs um novo desafio: fazer um levantamento das possíveis intertextualidades espalhadas no interior do álbum, entregando-se, para tanto, a uma pesquisa rigorosa, e postando os frutos de seu trabalho no site para o qual contribui. Quando indagado acerca dos motivos por detrás de tal investida, Warmuth se justificou da seguinte forma:</p>
<p style="text-align:justify;"> <em>Em 2003, Dylan disse a Robert Hilburn, “Se você gosta do trabalho de alguém, é importante que se exponha </em><em>a tudo o que essa pessoa se expôs”. Eu gosto do trabalho de Dylan, é por isso que procuro essas coisas. </em></p>
<p style="text-align:justify;">Embora algumas de suas “descobertas” sejam questionáveis, muitos dos fatos que constatou são realmente interessantes, podendo iluminar futuras interpretações acerca do sentido das letras do álbum. Reproduzo a seguir os meus favoritos.</p>
<p><strong></strong> </p>
<p><strong>The Canterbury Tales</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Após apontar a presença de uma alusão a certa passagem de Reeve’s Tale, capítulo dos <em>Canterbury Tales</em>, na <em>Ain’t talkin’</em> do <em>Bootleg 8</em>, Warmuth se viu citado em matéria da revista Mojo. Nela, sua descoberta não apenas foi confirmada, como considerada o ponto de partida para uma nova: a existência de outra alusão a Chaucer, agora em <em>My wife’s home town</em>, canção de <em>Together through life</em>. Intrigado, Warmuth, com o catatau em mãos, saiu cotejando vários trechos do livro com versos já disponíveis das novas composições do álbum, e acabou topando com, até o presente momento, 5 outras alusões. Reproduzo abaixo tanto os versos de Bob quanto os trechos que Warmuth selecionou:</p>
<p>My wife’s home town:</p>
<p><em>&#8220;I&#8217;m pretty sure she&#8217;ll make me kill someone&#8221;</em></p>
<p>Passagem do<em><a href="http://books.google.com/books?ei=v1fASc_8GImGsQPRreAv&amp;ct=result&amp;q=%22I%27m+pretty+sure+she%27ll+make+me+kill+someone%22"> Prologue of the Monk&#8217;s Tale</a></em>:</p>
<p><em>“I&#8217;m pretty sure she&#8217;ll make me kill someone”</em></p>
<p><strong> *</strong><strong> </strong></p>
<p>Shake shake mama:</p>
<p><em>&#8220;Down by the river Judge Simpson walking around</em></p>
<p><em> Nothing shocks me more than that old clown&#8221;</em></p>
<p><em><a href="http://books.google.com/books?ei=v1fASc_8GImGsQPRreAv&amp;ct=result&amp;q=%22nothing+shocks+me+more+than+that+old+clown%22"><em>Passagem de Summoner&#8217;s Tale</em></a></em><em>:</em><em><br />
</em><em>&#8220;&#8216;I&#8217;ve been insulted,&#8217; said the friar. &#8216;Today<br />
Down in your village — not the meanest potboy<br />
Would put up with my treatment in your town!<br />
</em><em>But nothing shocks me more than that old clown&#8221;</em></p>
<p><em>* </em></p>
<p>Forgetful Heart:</p>
<p><em>&#8220;Forgetful heart, we laughed and had a good time, you and I&#8221;</em></p>
<p><em><a href="http://books.google.com/books?id=hXCi_DViuqwC&amp;pg=PA158&amp;dq=%22good+time+you+and+I%22">Passagem de Sea-Captain&#8217;s Tale</a></em>.</p>
<p><em>&#8220;Let&#8217;s laugh and have a good time, you and I&#8221; </em></p>
<p>* </p>
<p><strong> </strong>I Feel a Change Coming On:</p>
<p><em>&#8220;And the fourth part of the day is already gone&#8221;</em></p>
<p><em><a href="http://books.google.com/books?ei=v1fASc_8GImGsQPRreAv&amp;ct=result&amp;q=%22fourth+part+of+the+day%27s%22"></a><a href="http://books.google.com/books?ei=v1fASc_8GImGsQPRreAv&amp;ct=result&amp;q=%22fourth+part+of+the+day%27s%22"><em>Trecho da introdução ao Sergeant-at-Law&#8217;s Tale</em></a></em><em>:</em><br />
<em>&#8220;Now, gentlemen,<br />
I have to warn all in this company<br />
A fourth part of the day&#8217;s already gone.&#8221;</em></p>
<p><strong>*</strong><strong> </strong></p>
<p>It’s all good:</p>
<p><em>&#8220;restaurant kitchen all full of flies.&#8221; </em></p>
<p><em><a href="http://books.google.com/books?ei=nkPxSevODaK6tAPE88DdCg&amp;ct=result&amp;q=%22full+of+flies%22+chaucer">Trecho do prólogo do Cook&#8217;s Tale</a>:</em></p>
<p><em> </em><em>&#8220;Because your cookshop&#8217;s always full of flies.&#8221;</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Tommy Johnson</strong></p>
<p><em><img class="aligncenter size-full wp-image-44" title="theme_time_by_zach_tremholm" src="http://dylansblues.files.wordpress.com/2009/05/theme_time_by_zach_tremholm.jpg?w=360&#038;h=400" alt="theme_time_by_zach_tremholm" width="360" height="400" /></em></p>
<p> </p>
<p style="text-align:justify;"><em>“Junto com Son House e Charley Patton, ninguém foi mais importante para o desenvolvimento do Delta blues do que Tommy Johnson. E bem antes das histórias sobre Robert Johnson vendendo sua alma na encruzilhada, essas mesmas histórias eram contadas sobre Tommy Johnson. Suas performances ao vivo, onde ele tocava violão atrás do pescoço enquanto berrava o blues no volume máximo, são legendárias. Infelizmente, seu vício em álcool era tão grave que ele era freqüentemente visto ingerindo </em>sterno<em> e até mesmo graxa passada no pão, quando whisky não estava disponível&#8230; Tommy só gravou até 1930, mas continuou se apresentando até 1956, quando sofreu um ataque cardíaco fatal. É uma vergonha nós não termos a chance de ouvir algumas de suas últimas performances.”  </em></p>
<p style="text-align:justify;">Essas são palavras do próprio Dylan, proferidas em seu popular programa de rádio <em>Theme time radio hour</em>. Warmuth foi capaz de perceber a influência de Johnson, um dos fundadores do Mississipi Delta Blues, em versos de <em>I feel a change comin’ on</em>, na qual um diálogo evidente com uma das canções do blueseiro se dá:</p>
<p>I Feel a Change Comin’ On:</p>
<p><em>&#8220;Well life is for love </em></p>
<p><em>And they say that love is blind<br />
If you want to live easy, </em></p>
<p><em>Baby pack your clothes with mine&#8221;</p>
<p></em></p>
<p>Lonesome Home Blues (T. Johnson):</p>
<p><em>&#8220;If you want to live easy, pack your clothes with mine<br />
Mmmm, want to live easy, pack your clothes with mine<br />
If you want to live easy, babe, pack your clothes with mine&#8221;</em></p>
<p> </p>
<p><strong>James Joyce</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Em uma passagem de <em>I feel a change comin’ on</em>, Dylan diz estar ouvindo Billy Joe Shaver e lendo James Joyce. A estranha referência a Joyce levou Warmuth a revirar a obra do irlandês atrás de possíveis elementos que a conectassem ao universo próprio de <em>Together through life</em>. Tendo em mente a declaração de Bob de que o álbum possui um “lado mais romântico”, o jornalista resolveu checar as apaixonadas cartas que Joyce escreveu a sua esposa Nora – e qual não foi sua surpresa ao se deparar com o seguinte trecho:</p>
<p style="text-align:justify;"><em>&#8220;Do not ever lose the love I have for you now, Nora. If we could go on <strong>together through life</strong> in that way how happy we should be. Let me love you, Nora. Do not kill my love.&#8221;</em></p>
<p style="text-align:justify;">A descoberta dessa carta, escrita em 22 de agosto de 1909, associada à menção feita ao escritor nos versos de <em>I feel a change comin’ on</em>, parece desbancar a teoria que filia o título do disco ao poema <em>When I peruse the conquer&#8217;d fame</em>, de Walt Whitman, no qual se encontra também a expressão que nomeia o álbum:</p>
<p><em></em> </p>
<p><em>When I peruse the conquer&#8217;d fame of heroes and the victories of<br />
mighty generals, I do not envy the generals,<br />
Nor the President in his Presidency, nor the rich in his great house,<br />
But when I hear of the brotherhood of lovers, how it was with them,<br />
How <strong>together through life</strong>, through dangers, odium, unchanging, long </em><em>and long,<br />
Through youth and through middle and old age, how unfaltering, how<br />
affectionate and faithful they were,<br />
Then I am pensive&#8211;I hastily walk away fill&#8217;d with the bitterest envy. </em></p>
<p> </p>
<p style="text-align:justify;">A relação entre <em>Together through life</em> e as correspondências trocados por Joyce e Nora se torna ainda mais patente após o exame de um verso bastante peculiar de <em>I feel a change comin’ on</em>. A esse respeito, diz Warmuth:</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Uma linha no review que David Fricke fez de </em>Together through life<em> na nova Rolling Stone chamou minha atenção. Fricke escreve, “Há outro verso digno de nota em </em>I feel a change comin’ on<em> – ‘</em>You are as whorish as ever’<em> – e Dylan o grunhe como um elogio.” (&#8230;) Tenho lido as cartas maravilhosamente sujas que Joyce escreveu a sua esposa pelas últimas semanas e percebi que Joyce freqüentemente se refere à sua esposa Nora como “</em>whorish<em>” na forma de um elogio, e era bastante afeiçoado a tal palavra.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Por exemplo, a carta de Joyce à Nora escrita em 8 de dezembro de 1909 começa com &#8220;</em><a href="http://books.google.com/books?id=nzCbAAAAIAAJ&amp;q=%22My+sweet+little+whorish+Nora%22&amp;dq=%22My+sweet+little+whorish+Nora%22&amp;pgis=1">My sweet little whorish Nora</a> I did as you told me, you dirty little girl&#8230;”.<em> </em><em>Sua carta do dia seguinte inclui “</em><a href="http://books.google.com/books?id=nzCbAAAAIAAJ&amp;q=%22Buy+whorish+drawers%22&amp;dq=%22Buy+whorish+drawers%22&amp;pgis=1">Buy whorish drawers</a>, love, and be sure you sprinkle the legs of them with some nice scent and also discolour them just a little behind<em>.&#8221; </em><em>Sua carta de 6 de dezembro de 1909 menciona &#8220;</em><a href="http://books.google.com/books?id=nzCbAAAAIAAJ&amp;q=%22a+whorish+movement+of+your+mouth%22&amp;dq=%22a+whorish+movement+of+your+mouth%22&amp;pgis=1">a whorish movement of your mouth</a><em>.&#8221;</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><br />
</em><br />
<strong>Shakespeare</strong></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-45" title="dylan-arms_334437a" src="http://dylansblues.files.wordpress.com/2009/05/dylan-arms_334437a.jpg?w=385&#038;h=385" alt="dylan-arms_334437a" width="385" height="385" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align:justify;">Uma possível intertextualidade com Hamlet também foi observada por Warmuth na canção <em>It’s all good.</em> A relação não é tão explícita como no caso das citadas alusões aos <em>Canterbury tales</em>, mas como Dylan sempre foi um leitor de Shakespeare, citando-o em diversas de suas canções, creio que a ligação feita pelo jornalista parece fazer sentido. A primeira estrofe de <em>It’s all good</em> diz:</p>
<p><em>&#8220;Talk about me babe, if you must<br />
Throw on the dust, pile on the dust<br />
I&#8217;d do the same thing, if I could<br />
You know what they say, </em></p>
<p><em>They say it’s all good<br />
All good, It’s all good&#8221;</em></p>
<p style="text-align:justify;">De acordo com Warmuth, há aí uma referência à primeira cena do quinto ato de Hamlet, quando Laertes pula sobre o túmulo de Ofélia e exclama: &#8220;<em>Now pile your dust upon the quick and the dead</em>.&#8221;  A estrofe final da música parece comprovar que a poeira de Dylan é a mesma do grande bardo inglês. Senão vejamos:</p>
<p>It’s all good:</p>
<p>&#8220;<em>I&#8217;m gonna pluck off your beard and blow it in your face<br />
This time tomorrow I&#8217;ll be rolling in your place<br />
I wouldn&#8217;t change a thing, even if I could<br />
You know what they say, </em></p>
<p><em>They say it’s all good<br />
All good, Oh yeah&#8221;</p>
<p></em>Cena 2, Ato II: solilóquio de Hamlet:</p>
<p><em>&#8220;Who calls me villain? breaks my pate across?<br />
Plucks off my beard and blows it in my face?<br />
Tweaks me by the nose? gives me the lie i&#8217; the throat,<br />
As deep as to the lungs? </em><em>Who does me this? Ha!&#8221;</em></p>
<p> </p>
<p><strong>A arte da guerra</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Finalmente, a mais estranha das conexões parece mesmo remeter ao clássico de Sun-Tzu, <em>A arte da guerra</em>. Em <em>Modern times</em>, alguns versos parecem dialogar com trechos do livro, mas nada é muito explícito. Porém, uma expressão estranhíssima chamou a atenção de Warmuth, o que o levou a digitá-la no Google atrás de maiores esclarecimentos. O que encontrou? Versos da <em>Arte da Guerra</em>!</p>
<p style="text-align:justify;">A expressão, “<em>with his back to a hill</em>”, se encontra em <em>Jolene</em>, e é, sem sombra de dúvidas, bastante incomum. O natural seria algo como “his back to the wall”&#8230; Pois bem: Sun-Tzu parece justificar a escolha inusitada de palavras:</p>
<p><em>&#8220;These are axioms<br />
Of the Art of War:<br />
Do not advance uphill.<br />
Do not oppose an enemy<br />
With his back to a hill.&#8221;</em><strong> </strong></p>
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